Quinta-feira, Outubro 16, 2008

até que ponto você vai sem achar
que a coisa que você mais queria
fazer na vida, o que você sempre gostou
e de fato quis,
vai se tornar a principal causadora
do inferno na sua vida.
até que ponto você vai sem achar que isso
TORNOU sua vida a maior desgraça.
até que ponto você vai até isso acontecer.
em que ponto isso acontece.
e quando você percebe.
e quando você percebe?

Quinta-feira, Outubro 09, 2008

e se falassem pra essas pessoas que fazem promessas de peregrinação,
que aquilo não é exatamente um sacrifício?
diz que andar faz bem pra saúde..

Sexta-feira, Setembro 26, 2008

tão loser que chega a ser excitante.

Sábado, Setembro 01, 2007

its always the same way for me.. ending in the same way.. the same way.

vou parar de sonhar coletivamente.
já tá mais do que na hora de aprender que as pessoas
não amam, que só mentem e mudam de opinião mais
rápido do que o ar entra no pulmão.
que as pessoas só sonham quando dormem e,
de fato, é apenas para descansar de um dia e recomeçar
o outro..
e o sonho.. o sonho já fez seu trabalho, passado enterrado
para dar lugar a um próximo repouso. felicidade clandestina,
recarga de bateria. ilusão para "viventes".
e eu.
eu sempre assim.
eu, funny like a joke.. (chega, por favor, chega).
se para você sonhos são apenas maneiras de se conseguir
encarar e viver a realidade, como refúgios momentâneos, pequenas
pausas para se descansar, então pare de sonhar comigo.
pois para mim sonhos são a realidade, o motivo de eu acordar,
levantar e andar todos os dias.
são o que eu quero alcançar e onde quero viver e vivo.
não faça da minha vida o seu descanso, por favor, eu não
aguento mais ser o seu peixe.

[but, it's ok to eat fish
'cause, they don't have any feelings.]

Segunda-feira, Outubro 16, 2006

O menino experimental

O menino experimental come as nádegas da avó
e atira os ossos ao cachorro.

O menino experimental, futuro inquisitor, devora o
livro e soletra ao serrote.

O menino experimental não anda nas nuvens. Sabe
escolher seus objetos. Adora a corda, o revólver, a tesoura,
o martelo, o serrote, a torquês. Dança com eles. Conversa
com eles.

O menino experimental ateia fogo ao santuário
para testar a competência dos bombeiros.

O menino experimental, declarado superado o
manual de 1962, corrige o professor de
fenomenologia.

O menino experimental confessa-se
ateu à toa.

O menino experimental é desmamado no primeiro
dia. Despreza Rômulo e Remo. Acha a loba uma galinha.
Nos tempos do oco pré-natal gritava: "Champanha,
mamãe! Depressa!"

O menino experimental decreta a alienação de Aristóteles.
Expulsa-o da sua zona, só com a roupa do corpo
e amordaçado.

O menino experimental repele as propostas da
prima de dezoito anos chamando-a de
bisavó.

O menino experimental, escondendo os pincéis
do pintor e trancando-o no vaso sanitário,
obriga-o a fundar a pop-art, única saída do impasse.

O menino experimental ensina a vamp a amar,
dorme com o radar debaixo da cama.

O menino experimental, dos animais só adimite
o tigre e o piolho de bombardeio. Deixa o cão,
mesmo feroz, e o piloto civil às pulgas.

O menino experimental benze o relâmpago.

O menino experimental antefilma o acontecimento
agressivo, o Apocalipse, fato do dia.

O menino esperimental festeja seu terceiro
aniversário convidando Jean Genet e Sofia Loren
para jantar. Espetados na mesa três punhais acesos.

O menino experimental despede a televisão,
"brinquedo para analfabetos, surdos, mudos,
doentes, antinietzsches, padres, podres,
croulants".

O menino experimental atira uma granada
em forma de falo na mãe de Cristovão Colombo,
sepultando as Américas.










Murilo Mendes.

Quinta-feira, Agosto 24, 2006

O guardador de rebanhos.

VIII
Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E sua mãe não tinha amado antes de o ter.

Não era mulher: era um mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse
Que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhe as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maia leva as tardes da eternidade
A fazer meia.

E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou –
“Se é que ele as criou, do que duvido” –
“Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.”
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
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Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
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Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

Sexta-feira, Junho 09, 2006

a fenda do queijo.





eita.